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História

PRÓLOGO


TEMPOS REMOTOS


Haviam nove terras divididas entre um grupo de nobres, de estrutura muito próxima dos
reinos vizinhos. Eles eram politicamente independentes, entretanto muito próximos em
relação à sua cultura.


Surge Patrício, das terras de Glows, que inicia um período de cinco anos de conquista
expansiva rumo à oeste, levando conflitos de proporções nunca vistas antes. Ao serem
invadidos, os reinos das terras vizinhas envolvem seus aliados contra Glows. O rei passa
então a buscar novos aliados.


NEERIGORI


[Fragmento de um relato de Neerigori às terras de Krish, à oeste de Glows, que formam
hoje Castelária. Tal documento é o relato mais antigo conhecido acerca da produção
desses reinos]
“Loori ao norte, eficientes em sua forja
Guilikon à oeste, experientes e sábios
Vreveren e Kortok ao sul, exímios no entalhe
Glows à leste, honestos em seu comércio
Kligfaust à nordeste, amantes do arco e da natureza
Krish, nobre povo de magníficos castelos, abundantes em tecido, conhecedores da estética”


A CONQUISTA


[Antigo cântico bardo acerca das vitórias de Patrício I, o Grande, datado como anterior à
sua queda. Encontrado nos arquivos da Casa Nephilin]
“As nove terras foram dominadas
Um monarca forte, poderoso, sólido
As bandeiras tremulavam em cada horizonte
O povo em paz
Após cinco intermináveis anos de dor
Após intermináveis dias obscuros”

Rodrigo Pardini

A GRANDE GUERRA, O GRANDE REINO


O muro da fortaleza era sólido, o aço era forte e o ouro reluzia e tilintava no bolso dos
comerciantes. O Grande Reino de CASTELÁRIA vivia um período de prosperidade e
paz. O reino havia sido unificado por Patrício, o monarca havia feito uma grande
campanha para unificar todos os pequenos reinos que estavam constantemente em guerra.
Unificar todos os reinos significou pegar em armas contra muitos nobres que governavam
vastas regiões, algumas, percebendo a importância de um grande reino unido, juntaram
suas forças na campanha de Patrício, outros regaram com sangue o surgimento do Grande
Reino. Durante três anos as batalhas se espalharam por quase toda porção ocidental do
mundo. Quando a guerra acabou o primeiro Grande Reinado teve início e, depois da
reconstrução quase completa, experimentou dezesseis anos de paz e prosperidade. Com a
estabilidade da região o Grande Reino passou a receber um grande fluxo de homens de
outras partes, vindos do leste e de várias ilhas ao redor do mundo. Os nobres que
apoiaram Patrício governavam agora grandes áreas do reino e detinham grande influência
na corte; seus opositores foram despojados de suas terras e exilados.


Então veio a praga. Tudo começou com um corpo achado no porto, em seguida mais três
foram encontrados em um cortiço, a primeira semana terminou com oitenta mortes e na
segunda semana a praga chegou à capital. No segundo mês de praga o povo se revoltou,
quase metade da população havia sido contaminada, sendo que um terço já havia morrido,
a esperança de cura era pouca, para cada cem apenas sete se curavam. Nenhuma medida
se mostrou eficaz para conter a doença: incendiar os corpos dos mortos, isolar os doentes,
fechar os portos, sacrifício aos deuses. As pessoas amaldiçoavam o rei, nas ruas surgia um
boato sobre sua culpa: a praga seria um castigo divino pela guerra sangrenta de unificação
do Grande Reino. Não bastasse a praga, a fome também se espalhava por toda parte. No
segundo dia da segunda semana do segundo mês da praga uma multidão furiosa e armada
invade o castelo do rei, passando por cima de guardas e escancarando portas eles chegam
à sala do trono. Patrício já estava morto. A multidão que até então urrava emudece
repentinamente. Patrício estava sentado no trono com sua coroa na cabeça e com a
garganta aberta por um punhal, não havia sinal de nenhum assassino, mas todos que viram
a cena tomaram pra si a culpa de sua morte, dividido esse sentimento se transformara em
um alívio e ao mesmo tempo em um pesar.


As mortes duraram ainda mais um mês. Quase dois terços da população estava morta. Os
campos, onde antes havia plantações, estavam agora cheios de pilhas de corpos
queimados, o cheiro de carne queimada e putrefação se espalhava por toda a parte. A
praga veio, destruiu e, com a mesma velocidade que apareceu, foi embora. Desde a morte
de Patrício, seu Conselho Real administrava a difícil situação do Reino, mas o povo
estava insatisfeito. Patrício não deixara nenhum herdeiro, muitos boatos voltaram a
circular pelas ruas, os rumores rondaram cada casa e novamente havia apreensão. O
Conselho Real, tentando trazer novamente a tranquilidade ao Reino, decide criar a Guerra
das Casas para escolher o novo Rei e novos representantes do Conselho Real. Foi criado o
Decreto Real, que regula a participação das Casas nesse torneio. Agora, os últimos

preparativos estão prontos, todo Reino de Castelária está se preparando para assistir a
disputa. O campo de batalha está pronto para receber os competidores, o arauto anuncia o
início. “Que o torneio para decidir o futuro do Grande Reino tenha início! Que comece a
Guerra das Casas!”

Paulo Soares

SEGUNDA BATALHA


“As nuvens obstruíam o sol. A chuva era fina, porém constante. Suas gotas tocavam os
campos, as casas e as armaduras.
Vindos de diversas partes do reino, à pedido do Conselho Real, os bravos guerreiros
novamente estavam prontos para lutar. Mas desta vez, não pretendiam depor nenhum
monarca, mas sim eleger um rei conforme regras estabelecidas.
As batalhas foram duras e intensas. Todos davam o máximo de si, de forma a não só
almejar poder, mas sim para lutar por seu povo, sua terra, suas conquistas. Conquistas
estas banhadas anos atrás por sangue, esforço e glória.
Surge então um vencedor. Ele elege Cícero I, o Construtor, da Casa Oradores de Dannan.
Junto dele se ascende um novo grupo de Conselheiros Reais, cujo legado se torna
indelével. Porém, o primeiro rei após a morte de Patrício, o Grande, não resiste à doença e
morre antes mesmo de ser coroado.
Tomando as rédeas do reino, o Conselho Real mais uma vez se organiza em prol de seu
povo, e convoca a todos para a Segunda Batalha das Casas.
Mais uma vez as apostas se iniciam. Mais uma vez o povo se reúne. Mais uma vez as
espadas são afiadas, para o novo soberano ascender. Que comece a Batalha das Casas!”


Marcus Vinícius

 

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